Herpes Zoster (Cobreiro): Por que a dor continua mesmo depois que as feridas somem?

Você já teve a sensação de que a sua pele estava pegando fogo, ou sentiu choques elétricos intensos em uma faixa específica do corpo, seguidos pelo aparecimento de bolhas vermelhas? Se sim, você conheceu o Herpes Zoster, popularmente chamado de “Cobreiro”.

Mas existe um cenário ainda mais angustiante que eu vejo com frequência no meu consultório: o paciente cujas feridas já cicatrizaram, a pele está limpa, mas a dor continua insuportável.

Muitos chegam até mim desesperados, dizendo: “Doutor Charles, as bolhas sumiram, mas eu não consigo nem encostar a roupa no corpo que dói”.

Hoje, quero conversar com você sobre por que isso acontece e, o mais importante, como eu trato essa dor que parece não ter fim.

O inimigo mora ao lado (ou melhor, dentro)

O Herpes Zoster não é um vírus novo que você pegou na rua. Ele é o vírus da Catapora (Varicela) que ficou “dormindo” nos seus nervos desde a infância. Quando nossa imunidade cai — seja por estresse, idade ou alguma doença —, ele acorda.

O problema é que esse vírus “caminha” pelo nervo até chegar à pele. É por isso que a dor é tão intensa: ele está inflamando e danificando a estrutura do nervo.

Quando a dor vira crônica: Neuralgia Pós-Herpética

O grande medo de qualquer especialista em dor é a Neuralgia Pós-Herpética. É quando o vírus vai embora, a pele cicatriza, mas o nervo ficou tão machucado que continua enviando sinais de dor para o cérebro. É como um “curto-circuito” permanente.

Se você tem mais de 50 anos, o risco disso acontecer é muito maior. E eu preciso ser sincero: analgésicos comuns como paracetamol ou anti-inflamatórios raramente funcionam nesses casos. Eles não “alcançam” esse tipo de dor.

Como eu trato essa dor no consultório?

Eu sempre digo aos meus pacientes: não espere a dor passar sozinha. Na fase aguda ou crônica, o tratamento precoce é essencial para salvar o nervo.

A minha abordagem para o Herpes Zoster foge do básico. Eu utilizo estratégias focadas em Dor Neuropática:

  1. Medicamentos Específicos: Eu prescrevo remédios que agem na atividade elétrica do nervo (anticonvulsivantes e antidepressivos duais), “acalmando” a transmissão da dor.
  2. Adesivos e Topicais: Em muitos casos, utilizo adesivos de lidocaína de alta concentração ou cremes manipulados que anestesiam a área localmente, sem efeitos colaterais sistêmicos.
  3. Bloqueios Nervosos: Esta é uma das ferramentas mais eficazes que tenho. Guiado por ultrassom, eu injeto medicações anti-inflamatórias e anestésicas ao redor do nervo afetado ou na raiz dele na coluna. Isso oferece um alívio quase imediato e ajuda a desinflamar a estrutura nervosa.
  4. Radiofrequência Pulsada: Para casos crônicos e difíceis, utilizo essa tecnologia para modular o nervo, “resetando” a percepção de dor.

Existe vida após o Zoster

A dor do Herpes Zoster pode ser incapacitante, impedindo você de dormir ou de abraçar seus netos. Mas ela não é uma sentença perpétua.

Se você está na fase das bolhas ou se já cicatrizou mas a dor persiste, não aceite o sofrimento como normal. Existe tratamento especializado além dos antivirais.

Agende sua consulta. Vamos avaliar o dano no seu nervo e iniciar o tratamento para apagar esse “fogo” e devolver sua paz.

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