
Você já tentou explicar para alguém que a sua pele parece estar pegando fogo, mesmo sem nada encostar nela? Ou já sentiu choques elétricos súbitos que te fazem pular da cadeira, mas quando vai ao médico e faz exames comuns, dizem que “está tudo normal”?
Eu ouço relatos assim todos os dias no meu consultório. E eu sei o quanto é angustiante sentir uma dor invisível, difícil de descrever e que muitas vezes é mal compreendida pela família e até por outros profissionais de saúde.
Se você sente queimação, formigamento intenso, agulhadas, frio doloroso ou choques, você não está inventando nada. Você provavelmente sofre de Dor Neuropática.
Como médico especialista em dor, quero te explicar hoje, de forma simples, o que está acontecendo com o seu corpo e, principalmente, por que o tratamento que você está fazendo pode estar errado.
O “Fio Desencapado” do seu corpo
Eu costumo usar uma analogia com os meus pacientes que ajuda muito a entender esse quadro. Imagine que o sistema elétrico da sua casa entrou em curto-circuito. Não adianta trocar a lâmpada (que seria o local onde dói) se o problema está na fiação (os nervos).
A dor neuropática acontece quando os seus nervos — que deveriam apenas levar informações para o cérebro — estão doentes ou lesionados. Eles começam a disparar sinais de alerta errados. É como se fosse um fio desencapado soltando faíscas o tempo todo.
Isso pode acontecer por diversos motivos: diabetes descontrolada (neuropatia diabética), sequela de herpes zoster, compressão na coluna, pós-operatórios ou até mesmo sem causa aparente imediata.
Por que os analgésicos comuns falham?
Essa é a maior frustração que eu presencio. O paciente chega até mim com uma sacola de remédios: anti-inflamatórios, relaxantes musculares e analgésicos simples. E me diz: “Doutor Charles, eu tomo tudo isso e a queimação não para”.
E não vai parar mesmo. Sabe por quê? Porque esses medicamentos foram feitos para tratar inflamação ou dor mecânica (como uma batida ou um corte).
A dor neuropática é uma falha elétrica. Para tratá-la, eu preciso usar classes de medicamentos totalmente diferentes. No meu consultório, utilizamos medicamentos que agem diretamente nos canais elétricos dos nervos, modulando esses disparos. Muitas vezes usamos anticonvulsivantes ou antidepressivos duais (e calma, eu sempre explico que não estou tratando convulsão ou depressão, mas usando a “inteligência” desses remédios para acalmar o nervo).
Tratamentos avançados que eu utilizo
Além do ajuste medicamentoso correto (que é uma arte e precisa ser personalizada), a Medicina Intervencionista nos dá ferramentas poderosas.
Quando o remédio oral não é suficiente ou causa muitos efeitos colaterais, eu posso lançar mão de tratamentos mais diretos:
- Adesivos e Cremes Especiais: Medicamentos tópicos de alta concentração (como a capsaicina ou lidocaína) que agem direto na pele, sem passar pelo estômago.
- Bloqueios Nervosos: Guiado por ultrassom, eu injeto medicações anestésicas ao redor do nervo que está “gritando”, proporcionando um silêncio imediato para a dor.
- Radiofrequência Pulsada: Uma tecnologia onde usamos ondas eletromagnéticas para “resetar” o nervo, diminuindo a sensibilidade dele sem queimá-lo.
Você não precisa viver com essa queimação
Eu sei que a dor neuropática cansa. Ela atrapalha o sono, irrita e desgasta o emocional. Mas quero que você saiba que existe um caminho real de melhora.
Não aceite ouvir que “não tem mais o que fazer” só porque a dipirona não funcionou. O tratamento da dor evoluiu muito e eu estou aqui para aplicar essa ciência a favor do seu alívio.
Se esses sintomas te soam familiares, agende uma consulta comigo. Vamos investigar qual nervo está sofrendo e criar a estratégia certa para “consertar a fiação” e devolver sua qualidade de vida.


